quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

ENTÃO

As forças me regem

Me põem em um caminho
me afastam deste caminho

E eu vou provando o mundo
todos os lados
todos os gostos
até que rota exausta exata
as forças me entreguem

À outra roda

EUNICE ARRUDA
(do livro "Debaixo do sol", Ateliê Editorial, 2010)

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

ASSIM

Nada
devo pedir
Sei o que quero
não sei o que me
quer. Então
ergo o rosto ao sol
e sigo – visível – ao
destino

EUNICE ARRUDA
(do livro "Debaixo do sol", Ateliê Editorial, 2010)

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

DEBAIXO DO SOL

eu

vivo

para ir

tirando de mim
as camadas do Sonho


EUNICE ARRUDA
(do livro "Debaixo do sol", Ateliê Editorial, 2010)

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

INICIAL

mudar a sombra e a árvore

da terra do mar mudar

ser par

mudar o risco e o cabelo

o lado de dormir e o de sonhar



Eunice Arruda (do livro "Mudança de lua", Scortecci Editora, 1986 – São Paulo/SP)

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

ESQUECI

o meu
caminho de casa

o sono úmido
útero

o nome dos sentimentos

as mãos
dadas às praças

as flores
as estações, esqueci
o rosto de minha mãe

EUNICE ARRUDA (poema sobre xilogravura de Valdir Rocha)

quinta-feira, 29 de julho de 2010

CLANDESTINIDADE

Vivi na clandestinidade

anos

No escuro nos bares na periferia
-------------------------------anos a fio
-------------------------------escondida
-------------------------------envolvida
em fumaças
teorias
Na paixão. Na clandestinidade

Até que um dia me entregaram

à vida

Eunice Arruda (do livro "Mudança de lua", João Scortecci Editora - São Paulo, 1989)

quarta-feira, 16 de junho de 2010

GABRIEL:

a duras penas
o tempo parou:
enterramos o morto

nos misturamos à terra
a
duras penas
conhecemos o nosso verdadeiro nome

EUNICE ARRUDA (do livro "Gabriel:" - Massao Ohno Editor, 1990, São Paulo/SP)