quinta-feira, 13 de outubro de 2011

GAVETAS

o poema
caído
da ventania

- as gavetas escrevem

o poema sem voz
nascido
da dor em demasia

EUNICE ARRUDA
(do livro "Mudança de lua", Scortecci Editora - 1986 [1ª edição] e 1989 [2ª edição]. Capa e ilustração Odete da Conceição Dias)

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

HOUVE - III

o primeiro


e
o


último dia

EUNICE ARRUDA
(do livro "Debaixo do sol", Ateliê Editorial, São Paulo/SP, 2010)

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

HOUVE - II

um
sentimento

depois

chuvas repentinas
inexplicáveis
febres
foram

engolindo à força
................a força


EUNICE ARRUDA
(do livro "Debaixo do sol", Ateliê Editorial - São Paulo/SP, 2010)

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

HOUVE - I

estranhos gestos de ternura
percorrendo conhecendo os limites
do corpo tentando provar o mel o
gosto do amor na pele do momento:
além
era o mar recortado de sombras
mãos úmidas de orvalho, seiva da
árvore
que nos escondia e nos revelava
um brilho de faca outro de sol

EUNICE ARRUDA (do livro "Debaixo do sol", Ateliê Editorial, SP - 2010)


quarta-feira, 22 de junho de 2011

GEOGRAFIA

estar em
algum lugar

sempre

deixar o
corpo
posto
em algum lugar

porto
onde voltar

EUNICE ARRUDA
(poema incluído na Antologia "Simbiose", organizada por Wilson Guanais - produzida pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores, RJ/RJ, 2010)

quarta-feira, 8 de junho de 2011

ENGANO

afinal
construímos prédios
casas jardins rosas
desabrocharam
trêmulas, afinal fomos
submissos às ocupações do dia
....... ....... .....às estações do ano
....... .. ..........à rotação da terra

Pensávamos ser esta a nossa pátria

EUNICE ARRUDA

quarta-feira, 18 de maio de 2011

LUA FRIA

Lua
fria
irmã
Sequer me espreitas

Vejo-te pálida
protegida pela névoa
fria
lua
minguada magoada irmã

EUNICE ARRUDA
(do livro "À beira", Editora Blocos, 1999, RJ/RJ)