quarta-feira, 8 de julho de 2009


.Hacais de Eunice Arruda


1.
Árvore cortada
No tronco - tão machucado -
o verde nascendo
2.
Verão. Meio-dia
Na sombra de uma nuvem
o boi cochila
3.
Noite estrelada
O céu - brilhando - se abaixa
silenciosamente
4.
Solidão no inverno
O velho aquece as mãos
com as próprias mãos


"O livro HÁ ESTAÇÕES, de Eunice Arruda, é dividido em 4 partes. Os poemas selecionados pertencem a cada uma das estações: primavera, verão, outono, inverno."

Seleção da escritora Maria de Lourdes Hortas

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Sarau Clube Cem & Linguagem Viva


Eunice Arruda
participará do Sarau Clube Cem & Linguagem Viva, no dia 30 de junho, a partir das 20h30, ocasião em que ocorrerá o pré-lançamento de seu livro de contos “Dias contados. Participarão também os escritores Betty Vidigal, Caio Porfírio Carneiro, Rosani Abou Adal e apresentação musical de Bia Cannabrava (voz) e Lupe Albano (violão).


O Sarau do Clube Cem e do Linguagem Viva será realizado na última terça-feira de cada mês, a partir das 20h30, no Clube Cem, Rua Fradique Coutinho, 1048, Vila Madalena, São Paulo.

Entre outros, a poeta lerá o poema:

UM DIA

um dia eu
morrerei
de sol, de
vida acumulada
na convulsão
das ruas

um dia eu
morrerei e
não
podia:

há poemas
escorregando de meus dedos
e um vinho não
provado

EUNICE ARRUDA

segunda-feira, 25 de maio de 2009

A Casa das Rosas preparou uma programação especial junto à exposição "Mulheres do Planeta", de Titouan Lamazou, trazendo ao público o trabalho de diversas poetas contemporâneas, através de leituras e bate-papos, acompanhados de apresentações musicais e peças teatrais, até 11 de julho. As apresentações acontecerão todos os domingos durante a exposição, das 16 às 19 horas.

07 de junho
Navalha na liga: encenação de poemas e canções de Alice Ruiz.
Recital e bate-papo com a poeta Eunice Arruda, às 17h

Local: Oca - Pavilhão Lucas Nogueira Garcez
Endereço: Av. Pedro Álvares Cabral, s/n Portão 3 - Parque do Ibirapuera

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MULHERES

Mulheres
mecanizadas
simulam
vozes

De passos duros
e roupas leves
alargam a tarde
de fumaça e
objetivos

Têm pressa – não
sonhos

Mulheres mecanizadas
geram filhos e
criam o
abstrato

EUNICE ARRUDA (do livro "Invenções do desespero", São Paulo / SP, 1973)

quarta-feira, 13 de maio de 2009

O MAR

conheço o mar

neste
domingo

conheço
a ternura verde
da árvore

da noite
abraçando o nosso
abraço

neste
domingo

conheço o mar
.... . ........ o nome

que mistura as nossas águas

Eunice Arruda
poema publicado em Portugal no blog: http://porosidade-eterea.blogspot.com/2009/05/os-vossos-poemas.html

quarta-feira, 22 de abril de 2009

encontro na Galeria Olido

"Como nascem os poemas?"

Eunice Arruda falará sobre o processo de criação literária (poesia livre e haicai), partindo de sua experiência como poeta e coordenadora de Oficinas Literárias. Em seguida, fará uma apresentação de seus poemas e responderá às perguntas do público.

Dia: 28 de abril de 2009
Horário: às 18h
Local: Galeria Olido ( Avenida São João, 473 ) São Paulo – SP

UM VISITANTE

Quem escreve
é
um visitante

Chega nas horas da noite
e toma o lugar do
sono
Chega à mesa do almoço
come a minha fome

Escreve
o que eu nem supunha
Assina o meu nome

EUNICE ARRUDA

(do livro "Mudança de lua", Scortecci Editora, 1986 – SP/SP )

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Lançamento dos livros da Coleção Haicai, em Santos


OBS.: clique na imagem para melhor visualização.





quarta-feira, 4 de março de 2009

Gabriel:
A praça era da
Marco zero da
cidade
Pombas telhados
Uma estação do Metrô

Dentro da Catedral
um ser
humano implora:

- salva-me. Do tempo


EUNICE ARRUDA

Massao Ohno Editor, 1990 – SP

Capa: óleo de Arcângelo Ianelli

(...) Os sugestivos dois pontos – : – do título parecem enfatizar esse aspecto de que algo vai ser dito, anunciado, gerando uma tensão, uma expectativa, criando um espaço que a poeta vai ocupar / como sendo a que traz a mensagem em/com sua poesia. (...)

Sérgio Telles - Suplemento Literário de Minas Gerais, 1991

(...) A característica central do livro é a profunda ligação com a palavra e sua gênese. Poder-se-ia começar pelo título, Gabriel, origem hebraica, herói e homem, e passar ao primeiro texto: "Somos / palavras / O mundo está sendo escrito". (...)

Manoel Cardoso - ARTE & PALAVRA - Aracaju – Sergipe, 1992

(...)Uma das características da boa poesia é o inusitado, o insólito no tratar com as palavras; o antônimo do óbvio, do comum; é o enfoque lírico. Os homens lutam para transformar o sonho em realidade. O poeta é o Quixote lírico, que faz o caminho contrário "o poeta / transforma / a realidade / em sonho". (...)
Ely Vieitez Lanas - O Tablóide - Jornal Cultural - Santa Rita do Passa Quatro / SP, 1993

(...)A poesia de Eunice Arruda procura o núcleo das coisas, o fundo. Pois se constrói mais do que esconde. Os espaços maduros entre um verso e outro. A densidade da palavra é degustada na página. (...)
(...)O texto se entretece de tênues fios, sob o tear habilidoso e exato. E na lição de Pound que diz que a poesia é o máximo de sentido no mínimo de palavras, este livro de fulgor e raízes, explode. Explodirá pelos sentidos do leitor, até o derradeiro grito:

"Súbito trovão
Pombas trocam
de telhado
"


Carlos Nejar - A Gazeta – Vitória / ES, 1996